domingo, 19 de setembro de 2010

PRECARIZAÇÃO, APARTHEID E DESMANCHE
03/09/2010


¬ 14:30 – Grupo de Teatro Engenho
Sala 100 - FFLCH (Conjunto C.Sociais-Filosofia)

Pedaços


Como grupo de teatro, o Engenho não propõe nenhuma intervenção teórica sobre o assunto. Pretende apresentar, em cerca de meia hora, algumas cenas curtas e independentes que vem criando e apresentando em encontros, reuniões, debates, sempre em locais pequenos e fechados, para pouca gente, espectadores interessados, mas que podem chegar a até 200 pessoas, dependendo do local.

Essa pesquisa estética – Teatro de Bolso – de dramaturgia, interpretação e cena a partir do teatro épico e da comédia popular, coloca os atores em relação direta com o público, sem a necessidade de luz, som, cenário, etc. São intervenções pautadas, num primeiro momento, pela ‘periferia’, que não se define ‘em si’ mas na relação com um ‘centro’. Mais recentemente, a questão passou a ser o ‘indivíduo’ em relação com a sociedade, o ‘eu’ e o coletivo, sob o mote “o impossível meu, maior que o impensável nós”.

O que se percebe nas cenas – e isso não é exclusividade do Engenho, mas uma característica comum de parte significativa do teatro de grupo de São Paulo – é uma poética do desmanche. Sem prévia combinação, parece que os grupos fazem o inventário estético e a denúncia política das contradições, impasses e becos em que o capitalismo atola a humanidade. Ressalta a barbárie e uma cegueira geral, se é que se pode usar este termo: os grupos não enxergam e não teatralizam a superação dessa situação, apenas registram o pântano, Engenho incluído.

Como entender a contundência da denúncia e a falta de perspectivas postas nas cenas? Como entender um movimento totalmente a contrapelo, que leva artistas de teatro a se organizarem coletivamente para controlar seus espetáculos e seu meio de produção – espaço físico, equipamentos – em contraposição à venda de sua força de trabalho no mercado da produção cultural? E que, ao mesmo tempo, não gera valor econômico e torna seus protagonistas dependentes da verba pública?

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